10
abr
10

Para quem quer aprender a amar

” [...] Tenho visto muito amor por aí. Amores mesmos, bravios gigantescos, descomunais, profundos, sinceros, cheios de entrega, doação é dádiva. Mas esbarraram na dificuldade de se tornar bonitos. Apenas isso: bonitos, belos ou embelezados, tratados com carinho, cuidado e atenção. Amores levados com arte e ternura de mãos jardineiras. [...]

Aí esses amores que são verdadeiros, eternos e descomunais de repente se percebem ameaçados apenas e tão-somente porque não sabem ser bonitos: cobram; exigem; rotinizam; descuidam, reclamam; deixam de compreender; necessitam mais do que oferecem, precisam mais do que atendem enchem-se de razões. Ter razão é o maior perigo do amor. Quem tem razão sempre se sente no direito de (e o tem) reivindicar, de exigir justiça, equidade, equiparação, sem atinar que o que está sem razão talvez passe por um momento de sua vida no qual não possa ter razão. Nem queira; ter razão é um perigo: em geral enfeia o amor, pois é invocado com justiça, mas na hora errada. Amor bonito é saber a hora de ter razão. [...]

Não tema o romantismo. Derrube as cercas da opinião alheia. Faça coroas de margaridas e enfeite a cabeça de quem você ama. Saia cantando e olhe alegre. Recomendam-se encabulamentos, ser pego em flagrante gostando; não se cansar de olhar e olhar, não atrapalhar a convivência com teorizações, adiar sempre, se possível com beijos, “aquela conversa importante que precisamos ter”; arquivar, se possível, as reclamações pela pouca atenção recebida. Para quem ama, toda atenção é sempre pouca. Quem ama feio não sabe que pouca atenção pode ser toda atenção possível. Quem ama bonito não gasta o tempo cobrando a que deixou de ter. [...]

Não tenha medo exatamente de tudo o que você teme, como a sinceridade; não dar certo; depois vir a sofrer (sofrerá de qualquer jeito); abrir o coração contar a verdade do tamanho do amor que sente.

Jogue por alto as jogadas, estratagemas, golpes, espertezas, atitudes sabidamente eficazes (não é sábio ser sabido): seja apenas você no auge da sua emoção e carência, exatamente aquele você que a vida impede de ser. Seja você cantando desafinado, mas todas as manhãs. Falando besteiras, mas criando sempre. Guaguejando flores. Sentindo o coração bater como no tempo do Natal Infantil. Revivendo os carinhos que intuiu em criança. Sem medo de dizer eu quero, eu gosto, eu estou com vontade. [...]

Se o amor existe, seu conteúdo já é manifesto. Não se preocupe mais com ele e suas definições. Cuide agora da forma. Cuide da voz. Cuide da fala. Cuide do cuidado. Cuide do carinho. Cuide de você. Ame-se o suficiente para ser capaz de gostar do amor e só assim poder começar a tentar fazer o outro feliz.”

10
abr
10

Inteiros

O coração está a procura do que lhe falta, do que tiraram dele.
“Mas, caralho, eu nasci inteira. Todos nasceram inteiros, sem a necessidade de procurar a peça de um quebra-cabeça. Não somos um quebra-cabeças de mil peças, não vivemos para procurar o que nos falta e quem nos falta. Nossa vida não foi criada para que outros possam completar. É certo que aquele que vive solitário é improvável que viva feliz, mas nós não necessitamos totalmente de uma pessoa para sobreviver. Nós somos poesia. Somos música, que interpretando-se certo, conseguimos achar seu sentido.
Aquele quem eu amei, quem eu amo e quem amarei, nenhum deles completará minha vida. Está certo que eu vou berrar e chorar cada vez que um deles for embora, afinal já fiz isso com quem já foi. Mas isso não vai me fazer passar gilete nos pulsos ou atirar na minha têmpora. Eu valho mais do que os outros. Eu vou cuidar da minha vida, e quando chegar a hora, eu a cederei. Se quando algum de vocês fere e tira um pedaço do meu coração, os outros que ajudam a me suturar deixam suas marcas, a sua própria costura. E eu posso até morrer por aqueles que têm suas marcas em mim, mas por aquele que me feriu, jamais.”
11
mar
10

I Don’t Wanna Miss a Thing

Don’t wanna close my eyes, I don’t wanna fall asleep

Diante da compreensão, de frente ao mundo que você sempre sonhou em dominar. Estou parada diante do lugar que deveria ser seu abrigo, estou encarando a realidade onde você deveria ter terminado sua missão. Não quero ter que fechar os olhos, mas a claridade do sol que você já sentiu está me cegando. A claridade, o calor, tudo o que você me mostrou um dia, está aqui, me tocando. Está me lembrando. Não quero sentir sono, porque é nele que você me dizia adeus. É no sonho que você me beijava pela última vez como se fosse a primeira, e ainda assim…

‘Cause I’d miss you baby

Seu cheiro misturado ao cheiro das ruas, ao cheiro das árvores úmidas, o cheiro da lama nos nosso pés descalços… Tudo está aqui, no alto, onde eu contemplo os seus prédios. Todos que já foram seus. Todos que iluminam-se ao cair da escuridão, a agitada e sempre jovem escuridão. O seu cheiro que nunca vai sair do travesseiro, que invade meus sonhos e é por isso que não quero dormir. Eu sentiria sua falta, a falta do seu calor, da sua recepção. Você era meu abrigo, e seu abrigo era isto. A sua cidade, a sua vida.

And I don’t wanna miss a thing

O vento me balança e cada vez fico mais vulnerável, mais à deriva do que uma pluma. Qualquer hora posso sair a sua procura, satisfeita por sair do chão. Não feliz por sair do seu chão, mas para poder ir ao lugar onde você está. Eu poderia voar e sentir novamente tudo o que você me trouxe, tudo o que está mandando. Novamente seu beijo, novamente seu toque e seu calor, suas palavras que me levaram à loucura. O seu coração. Tudo o que eu não perdi, que apenas estão guardados…

‘Cause even when I dream of you, the sweetest dream would never do

Sempre com os olhos meigos, apaixonantes, carinhosos. O seu sorriso chegava ao olhos como na primeira vez em que nos amamos, quando eu finalmente fui sua. Não importa o quanto esse sorriso voltou apenas à boca conforme o tempo passava, mas aquilo eu nunca perdi. Esse sorriso não. Pegava minha mão e jurava nunca mais me abandonar, nunca mais gritar uma palavra para mim que não fosse de súplica de seu amor. Estávamos sempre em um santuário, no nosso santuário. Lembra-se? O banco do jardim de outono, onde tirávamos as folhas com as mãos, e ficávamos pela eternidade. A nossa eternidade.

Um copo de água, e estava acabado. Eu tombava da cama barulhenta e você desaparecia. Nunca foi o suficiente.

I’d still miss you baby

Por mais que a coleção de pequenos momentos com você aumentasse, eu sempre continuaria nisso. Nada mudaria, ninguém ressuscitaria. Nem você, nem eu.

And I don’t wanna miss a thing

Mas estou aqui, amor. Estou aqui diante da nossa cidade, no alto. Posso ver cada essência de cada centímetro quadrado desse território, desse pedaço de vida. O calor é tão forte que eu sinto-me queimando, meus dentes estão expostos e você poderá invadir minha mente quando quiser. Eu sou sua, como sempre quis ser e achei que fosse. Estou em suas mãos. E por favor, não me faça perder nada.

16
fev
10

Evanescence – Field of Innocence

Enquanto os dias passam, diante de mim, enquanto as guerras se construíam, me tornando no que eu sou, nestes últimos dias de existência deste pobre país, esta parasita dentro de mim, eu o criei. Na parte mais sombria da tempestade repousa um mal, que sou eu.

07
fev
10

Eu dei um revólver a ela…

Mas ela gastou suas balas em mim. Eu lhe dei uma faca, e ela cortou as minhas teias. Eu lhe dei uma música, mas ela nunca mais a ouviu. Eu lhe dei uma carta de amor, ela guardou em vez de colar no painel de seu quarto. Eu lhe dei um urso de pelúcia, ela o deixou sobre a estante. Eu lhe dei um anel, ela o deixou no porta-jóias e às vezes esquece de usá-lo. Eu lhe dei uma caixa de chocolates, mas ela os comeu e não dividiu com ninguém. Eu lhe dei uma flor, ela a deixou na água e dois dias depois a planta murchou. Eu lhe dei uma promessa, ela também me deu mas vive quebrando-a. Eu lhe dei tudo o que eu podia dar, mas ela só quis uma coisa. Eu lhe dei meu coração, e ela o pegou e nunca mais o devolveu.
Espero que nunca mais o devolva. Não sinto falta do meu quando tenho o dela.
17
jan
10

Uma mensagem para alguém

Parabéns.

O que, 50 anos? Mas já? O tempo passa depressa, não? Haha!

Espero que quando você, Daniel (EU TENHO CERTEZA QUE É VOCÊ QUE RESPONDE OS E-MAILS) veja esta mensagem, ligue imediatamente para o celular do Andy, deseje toda aquela melosidade e tal, e leia esta mensagem para ele.

Ok, se for o Elidio… oi, tudo bem? zuera DIUHAEIDF

Parei até de escrever meus textos, coisa que eu faço às vezes… porque, repentinamente, lembrei seu aniversário estava mais próximo do que eu imaginava. Não que eu me esqueci, mas também a sua data não é coisa que eu posso deixar passar.

Andy, Andy… não sei há quanto tempo a terra rodou em volta do Sol com você nela, mas eu te desejo tudo aquilo que suas fãs desejam: paz, amor, esperança, saúde, dinheiro, carros, mulheres, viagens, mansões, dinheiro, dinheiro, dinheiro, criatividade para improvisação, dinheiro, violões, amigos, família, tempo, dinheiro, e acima de tudo (dinheiro -não) felicidades!

Não faz muito tempo que eu acompanho o seu trabalho, mas desde que comecei, é como se eu estivesse viciada. É um trabalho raro e que mexe com a melhor coisa do mundo: o humor. Se você souber o quanto faz pela gente, vai saber também o quanto é especial e o quanto eu desejo tudo de bom e do melhor pra você. Eu realmente espero e desejo tudo isso que te falei, e mesmo sabendo que muitas fãs devem ter a mesma admiração por você e devem ter falado toda essa coisa sobre seu trabalho, eu repito com orgulho: você é um dos melhores humoristas que eu já vi. Você provou pro Brasil e pra vários países também, creio eu, que pra fazer a gente sorrir não precisa ser rico, não precisa esnobar e humilhar as pessoas e muito menos, se preocupar só com a beleza exterior (pena que eu acho que você e seus dois amigos sejam bonitos por natureza né…). Por que, pelo o que os Barbixas mostram para os fãs, eu só consigo enxergar as melhores qualidades para quem faz fama: a simpatia e atenção. Não posso dizer que conheço os três como uma amiga porque sou apenas uma fã, mas essas qualidades já fazem de vocês maravilhosas pessoas. Aprendi que mesmo outras pessoas que fazem um trabalho que mexa com um público, uma platéia e gera fãs, todas elas devem aprender que todos somos iguais, e se elas tem gente que as admiram, elas devem respeitar esses fãs como devem respeitar a todo mundo. E eu sempre acreditei que vocês fazem isso. Pelo menos, das poucas (e maravilhosas) vezes que eu encontrei com vocês, foi isso que a Cia. Barbixas de Humor mostrou pra mim. Por trás daqueles caras que aparecem no YouTube e agora no canal da Band, que nos fazem rir de rolar da cadeira, eu consegui ver que são seres humanos como todos nós, e mesmo assim, foi isso que diferenciou vocês de muita gente por aí.

E como todo fã desse trio espetacular deve ter, eu tenho um Barbixa preferido, que é você mesmo, Anderson.

Eu sou aquela menina da camiseta da homenagem a vocês, escrito “Serei eu, Jesus?”. Não foi à toa que eu pedi para fazê-la. Além do Fã Clube estar vendendo, eu também queria para ter um simbolo, para ter uma lembrança de vocês para onde quer que eu fosse. Uma camiseta. Simples, mas agora eu posso usá-la no peito e dizer que eu gosto de vocês pra caramba.

Obrigada por tudo. Especialmente a você, Anderson, nesse dia especial, espero que nessa carta você reconheça o quanto é bom e o quanto é especial. Então meu presente pra você é esse: você mesmo. Quer coisa melhor? DHAEIHFIDUH

Amo você, feliz aniversário.

__

Detalhe, que o aniversário dele é só amanhã, 18 de janeiro.

14
jan
10

ETEC

http://www.vestibulinhoetec.com.br/classificacao/lista.asp?CodUnidade=13&CodCurso=106&Cidade=S%C3O+PAULO&TipoBusca=1&Nome=lais+hiromi+imanisi

A felicidade gera de pequenas e grandes coisas. :)

Agradeça a Deus por você mesmo também.

13
jan
10

Troquei

Troquei sua paixão. Troquei todo o amor que você poderia me oferecer por um punhado de liberdade e por algumas moedas de prata pra me divertir. Troquei seus beijos pelos sussurros dos ventos de uma sexta à noite, troquei seu abraço pelo frio da falta de um casaco quente na saída da boate. Troquei a sua voz romântica pela melodia que agora toca insuportavelmente alta em meus ouvidos direto das enormes caixas, e que vibra do fone do meu celular walkman. Troquei a sua risada pela dos meus amigos, troquei as suas algemas por balões. Agora, que me levam para longe.

11
jan
10

Talvez

Talvez se em qualquer dia de minha vida eu pare de caminhar nestas ruas imundas, talvez se em qualquer hora eu possa pisar neste cigarro, talvez se em qualquer momento um carro possa me impedir de ir atrás da sua sombra, você possa me ouvir.

O pouco de luz que eu consigo distinguir aqui já não faz mais diferença. Minhas pernas apenas se interrompem, exaustas, quando o homem de cor de café olha em meus olhos e estende a mão, e eu lhe ofereço duas moedas de prata. Seu sorriso é melhor do que qualquer um que eu tenha visto. Os dentes lhe faltam, mas minha certeza de que você não se importaria com isso é a mais forte de todas.

Lembro-me dos seus fios da luz do sol e das portas de sua alma, que naquele dia eram de um verde suplicante. As suas esmeraldas me fitavam e eu nada podia fazer. E, em torno delas, o rubi adornava. Não estava certo. Vermelho no verde? Você mesmo dizia que era a combinação mais desagradável que poderiam fazer. E eu sei porque: ela, dos olhos da mesma cor que os teus, sangrou em seu último dia.

Talvez se agora eu parasse de seguir na direção errada, e se eu conseguisse realmente fazer com que minhas mãos suadas fizessem sua justiça, eu seria a mulher dos olhos verdes que você tanto quis. Mas não. Por quê eu não conseguia parar de andar?

Fugir. A fuga de tudo que um dia tinha sido meu. O lar das torturas, o lar que tinha sido seu. A cama onde você deitou comigo e me fez a mulher mais desejada do mundo, a cama onde você acolheu o corpo da ruiva e também me fez a mulher mais detestável do mundo.

Loucura. Ela estava louca, e sussurrava o seu nome… Sabe por que? Porque você ainda pertencia a ela. Quando ela comprimiu o dedo no gatilho e mirou para seu peito, ela havia acabado de marcar a própria sentença. E naquela noite de outono, que nem mais diferença faz nessas ruas sujas de marcas de pneu, ela respirou seu último ar de fumaça de carros e de cheiro de fogo e implorou pelo meu perdão.

E se foi. E sua última lembrança foi do sangue que jorrava daqueles olhos invejáveis, não é?

O último aperto em minha mão, o rubi tingindo os lençóis da nossa cama. A alma dela agora eu vejo bem: limpa como a sua.

E é por isso que eu vou sujar a minha. Talvez se você entendesse e me perdoasse assim que te encontrar, nós ainda possamos ser felizes. Talvez se eu puder fazer com que aquele carro que se aproxima me ouvir…

Vamos, idiota, me atropele!




Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.